
Era o Brasil que jogava de branco em Boston, na tarde desta quinta-feira? Não era, mas se pudéssemos voltar no tempo, uma certeza estaria estampada no gramado: o toque de bola, a organização do meio de campo, um jogador forte e rápido com a camisa 10, ora caindo pela direita, ora subindo pela esquerda – seria o Brasil. Mas não, infeliz e tristemente. A seleção de branco era a da França – o Brasil, de azul, parecia uma equipe esforçada, com um ou outro lampejo. É verdade, começou bem o segundo tempo, especialmente com Luís Henrique (que ainda briga por vaga) do lado direito. Vinicius Jr., no canto oposto, mal era sombra do atacante do Real Madrid. Os franceses jogaram com um a menos desde os 10 minutos do segundo tempo, quando ganhavam de 1 a 0 – fizeram o segundo, para depois Brenner diminuir, 2 a 1.
E agora, é o fim do mundo? Não é, embora soe assim para os torcedores brasileiros que, no estádio americano, evidentemente pediram por Neymar – e com Neymar, nada teria mudado, porque não há milagres. Não foi a pior das partidas, mas muito longe de ter sido razoável. Para além do jogo em si, e do que o Brasil poderá fazer contra a Croácia, na terça-feira, 31, fica uma constatação melancólica: já não temos, e não mesmo, o melhor futebol do mundo. Aquela romântica imagem do peso da amarelinha – que, convenhamos, muitas vezes foi folclórica – se apagou. A seleção pode até voltar da Copa do Mundo com o título, embora não pareça sensato, e convém desligar uma inexistente bola de cristal. O que vale, aqui e agora, e pede uma lágrima: o Brasil já não assusta os adversários, o elenco é fraco, e permanece a sensação de que a mágica caducou. E cabe o sonho impossível: que a turma de branco fosse a do pau-brasil, e a de azul, a da Gália. Não dá, realmente, para ver o amontoado de Carlo Ancelotti e sair gritando por aí: “É uma brasa, mora!”. O presidente da CBF, aliás, decidiu tirar do uniforme oficial a expressão “Vai, Brasa”, porque disse ter sido vendido na história, da qual mal sabia. Pode ser que não soubesse, acredite quem quiser, mas talvez caiba avisar: a subtração do ruidoso slogan não fará o Brasa virar Brasil, o Brasil de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 – e tampouco o de 1982. É uma pena.
Fonte: veja.abril.com.br





