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Filme sobre Vini Jr. reforça a glória da luta antirracista – 28/05/2025 – Thiago Stivaletti

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Foto de Thiago Stivaletti

Não há dúvida de que Vinicius Junior merecia “Baila, Vini”, documentário sobre sua trajetória brilhante no futebol lançado pela Netflix. O filme dirigido por Andrucha Waddington (de “Vitória”) passa rápido pela infância do craque em São Gonçalo e o início no Flamengo para se concentrar nos seus gols e lances prodigiosos à frente do Real Madrid.

Embora sem novidades, o longa dedica um bom trecho aos episódios racistas que Vini sofreu, especialmente os ataques da torcida do Valencia em maio de 2023 que o levaram a bater de frente com o presidente da Liga Espanhola.

O post do jogador em suas redes logo após o ataque é possivelmente o gesto mais corajoso e político de um jogador de futebol em toda a história. Falava não só do racismo das torcidas, mas da Espanha como um todo. Recebeu uma onda de solidariedade de outros jogadores e pessoas do mundo inteiro, e levou a prefeitura do Rio a apagar as luzes do Cristo Redentor em solidariedade a ele.

“Baila, Vini” reconstitui o episódio em detalhes, desde a agressividade da torcida valenciana na entrada do estádio até o cartão vermelho do craque após ter reagido a uma agressão que, na verdade, tinha começado pelo jogador adversário. Seus posts contundentes acabaram forçando a Liga Espanhola a rever a vista grossa que fazia aos racistas e iniciar punições.

Num filme que faz um grande retrospecto dos últimos anos do craque sem muitas novidades, uma informação de bastidores se destaca. Quando Vini vai jogar contra o Valencia pela primeira vez depois dos ataques racistas, a administração do estádio de Mesalla, em Valência, decide proibir que a Conspiração, produtora do filme, tenha acesso ao jogo.

Arrogante, a torcida valenciana ainda entoa “Cadê o povo da Netflix?” em tom de bravata. Quem não deve, não teme. Se foi preciso barrar as câmeras, isso se deu claramente por medo de que elas captassem mais ataques racistas da torcida.

O título do filme faz referência a um episódio anterior de racismo, quando um comentarista da TV espanhola criticou o hábito de Vini dançar em campo para comemorar seus gols. “Se quiser dançar samba, vá ao sambódromo no Brasil… Aqui, você precisa respeitar seu colega e deixar de fazer macaquice”, disse ao vivo.

A hashtag #BailaViniJr, em defesa do craque, ganhou a adesão de Pelé, Neymar e milhões nas redes. Foi a primeira vez em que ele decidiu gravar um vídeo se pronunciando publicamente contra o racismo.

Os fãs do craque vão gostar de conhecer a sua mansão espanhola por dentro e acompanhar algumas das suas rotinas de exercícios diários para manter o condicionamento. Um detalhe curioso na sala de jantar é um quadro com um desenho de Vini como o Homem-Aranha. Há um ou outro momento em família, com a mãe, a avó e a tia, mas elas pouco entregam sobre a personalidade de Vini fora dos campos.

Vale como um registro e uma homenagem a um craque que, como ele mesmo diz, só queria jogar seu futebol e cuidar da sua família. Vini não queria briga com ninguém, mas, quando foi lançado no campo de batalha do racismo, foi à luta e venceu.

“Baila, Vini”

Disponível na Netflix

Thiago Stivaletti é jornalista e crítico de cinema, TV e streaming. Foi repórter na Folha de S.Paulo e colunista do UOL. Como roteirista, escreveu para o Vídeo Show (Globo) e o TVZ (Multishow)

Fonte: redir.folha.com.br

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