Uma descoberta científica feita em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, ganhou destaque internacional ao revelar uma nova espécie de fungo parasita encontrada na Mata Atlântica. O microrganismo foi identificado pelo pesquisador brasileiro João de Araújo, professor da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e recebeu o nome científico de Purpureocillium atlanticum.
O fungo chamou a atenção da comunidade científica por seu comportamento incomum. Ele parasita aranhas conhecidas como aranhas-armadilha, desenvolvendo-se dentro do corpo do animal até consumi-lo completamente. Por essa característica, passou a ser popularmente chamado de “fungo zumbi”, em referência à forma como controla e utiliza o hospedeiro para completar seu ciclo de vida.
A relevância da descoberta foi reconhecida pelo Royal Botanic Gardens, Kew, o Jardim Botânico de Londres, que incluiu o Purpureocillium atlanticum na lista das 10 descobertas científicas mais importantes de 2025 na área da biodiversidade. A instituição é uma das mais respeitadas do mundo em estudos botânicos e micológicos.
A nova espécie foi descrita oficialmente em um estudo publicado em dezembro de 2025, na revista científica IMA Fungus, especializada em taxonomia e biologia de fungos. A pesquisa contou com a colaboração de cientistas do Brasil e da Europa, reforçando o caráter internacional do trabalho desenvolvido a partir de amostras coletadas em Nova Friburgo.
Pertencente à família Ophiocordycipitaceae, o fungo integra um grupo conhecido por parasitar insetos e aracnídeos, incluindo espécies famosas por alterar o comportamento de seus hospedeiros. No caso do Purpureocillium atlanticum, a aranha infectada vive em tocas subterrâneas, onde o fungo se desenvolve até formar uma estrutura que alcança o exterior, facilitando a liberação de esporos no ambiente.
Os pesquisadores destacam que, apesar do impacto sobre as aranhas, o fungo é altamente especializado e não representa qualquer risco para seres humanos.
A descoberta reforça a importância da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, e evidencia o papel de Nova Friburgo como área estratégica para pesquisas científicas. Segundo o próprio Kew Gardens, menos de 10% das espécies de fungos do mundo são conhecidas, o que indica que muitos organismos ainda podem ser descobertos — ou desaparecer — antes mesmo de serem estudados.
Para os cientistas, cada nova espécie descrita é também um alerta sobre a necessidade de preservação ambiental, já que a perda de habitats naturais pode comprometer descobertas fundamentais para o entendimento dos ecossistemas e da biodiversidade global.
Recentemente, o Serra News também destacou outras descobertas de novas espécies registradas em Nova Friburgo, reforçando o papel da cidade como um importante polo de pesquisas científicas e de preservação da biodiversidade.
Fonte: BBC News
Nova Friburgo revela espécies raras e novas descobertas da Mata Atlântica
Fonte: www.serranewsrj.com.br





